Exposição "Nada Irreal Existe" do artista Ricardo Kolb na Galeria 33
Ricardo Kolb é um artista contemporâneo atuante, mantém atividade intensa no âmbito das artes visuais, realizou diversas exposições no Sul do país e desde então concilia seu trabalho de design industrial e artista visual, produzindo desenhos e pinturas aonde a linha, o plano, a camada pictórica são a parte da sua composição.
O artista se apropria de signos e códigos da vida cotidiana e conduz, através da sua obra a um confronto entre a lógica e a percepção conduzindo o espectador a contemplação e reflexão. O a artista é natural de Criciúma, radicado em Joinville.
A abertura será no dia 11/02 às 20h, com visitação entre 12/02 à 04/04, durante o período expositivo terá visitação mediada com o artista, agendamento via 47 992772016 com Katiana.
NADA IRREAL EXISTE | RICARDO KOLB
Texto de Joel Gehlen
Você se nega a inexistir. E caso não seja assim, é irreal.
Árido, quase hostil, certamente agreste. Uma soturnez rígida. Traços de carvão lascado.
Bem poucas curvas e nenhuma polidez. A fuligem habitual paira, densa, sobre os retângulos.
A cor entra em breves intervalos de respiração, escorre pelas bordas ou atravessa, mas sem
lastro na forma.
Espaços fragmentados, esboços de ambientes em tom escuro. Ricardo Kolb não faz
qualquer convite. Se entrar, é por sua conta e risco. Não oferece lenitivo aos sentidos. Mas
fornece o bisturi para autópsia de si. É preciso cortar a carne do nada até constatar a causa
do irreal, esse sintoma que tanto agrada.
Nesse campo cultivado ao acaso, conflitam a raia das referências e o incriado. Não há
espaço para atribuições da mente. O que surge será sempre por acaso, a súbita sintonia que
surge e distingue-se, não por ser surpreendente, mas pela monotonia com a qual contrasta.
Uma asfixia da imaginação.
Os números e letras podem ser a chave que hierarquiza, põe ordem, dá sentido e, por um
instante, interrompem a queda no poço escuro. Você confia e sente girar o gancho da
desossa entre as costelas. Pode doer. Mas há um barco e o leme, esse cajado que abre as
águas do mar.
Ao embarcar, leia a advertência: “Abandona toda esperança, vós que entrais!”



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